domingo, 27 de janeiro de 2008

Atleta de Deus: o comentário que vira postagem

Todos atletas sonham em ser um grande jogador de futebol e eu não sou diferente. Pra chegar no topo precisamos ter humildade e ter força de vontade em crescer.


Fico feliz por ter escolhido esse caminho e fico grato ao Senhor Jesus Cristo por esse dom. Agora é trabalhar com sinceridade e muita força de vontade em querer vencer na vida e a minha hora está chegando.



Foto retirada de perfil no orkut

Lembro em um dia que coloquei na minha cabeça que não iria mais jogar futebol, pois queria trabalhar pra ter dinheiro e pode sair no final de semana. Fiquei um tempo sem jogar, comecei a fumar e fazer coisas erradas, me afundando por longos dias.


Minha família toda era da igreja e eu só fazia essas coisas. Um belo dia fui na igreja e me dei conta das coisas que estava fazendo nesse mundo e que não era do agrado de Deus. Aceitei a Jesus Cristo como meu Salvador e me batizei.


Hoje estou na igreja, mudei perfeitamente e estou com o pensamento de crescer a cada dia mais e mais. Agradeço a Deus por me dar força e estar aqui nesse momento para poder falar que em breve estarei jogando em um grande clube.


Estou vivendo pela fé e creio que Deus vai me Honrar , aliás ele é fiél.

Que Deus possa abençoar a cada pessoa, crianças, jovens e adultos.


Amém ...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Parabéns São Paulo, uma cidade varzeana

Hoje a cidade de São Paulo faz 454 anos. O que dizer da cidade em relação à várzea? Muita coisa!

A primeira coisa a lembrar é sobre o desenvolvimento de Sampa, a maior cidade da América Latina. A coisa começou a aumentar na década de 30. Uma tal revolução industrial na Inglaterra influenciava o mundo todo. Naquela época, dizem histórias, existiam em média 1000 (mil) campos só na região central da cidade. Já pensou? Campo demais. Você chutava da sua área pra isolar e marcava gol no gol do outro campo sem querer, é mole?

Até a década de 1940 não havia estádio de futebol em São Paulo.

Já não há campos de várzea e as crianças disputam a rua com os carros e os pedestres

Nas lembranças do sr. Amadeu, italiano nascido no Brás, a região de várzea da cidade foi totalmente transformada em campos de futebol. Diz ele:
“Comecei a jogar futebol com nove anos. Naquele tempo tinha mais de mil campos de várzea. Na Vila Maria, no Canindé, na Várzea do Glicério, cada um tinha mais ou menos cinqüenta campos de futebol. Penha, pode pôr cinqüenta campos. Barra Funda, Lapa, entre vinte e vinte e cinco campos.

Na íntegra: http://www.aprenda450anos.com.br/450anos/vila_metropole/2-4_estadio_pacaembu.asp

Começou então a invasão industrial. Imagine só! Você, louco pra montar sua empresa e cheio de campo de terra, retinho, aterrado, pronto pra dali, subir uma fábrica. Já era campo! Não teve jeito. A expeculação imobiliária foi boa pro desenvolvimento, mas foi uma das responsáveis pelo subdesenvolvimento do futebol de várzea.

Ainda restam campos de várzea e neles a rapaziada desfruta bons momentos de lazer

Parabéns cidade de São Paulo, mas pare de lutar contra o futebol varzeano. Pode ser?

Menino-Homem

A Várzea também inspira. Na mesma visita ao pessoal da Vila Guarani, uma das pessoas que estavam na mesa, em certo ponto da conversa, começou a conversar com a gente de canto. Vim pensando em tudo que ele disse. E decidi fazer este texto.

Menino-Homem

Quando chegamos a conversa era para outros fins. Mas ganhou tal direção que não conseguiríamos fugir daquilo. Lá pela tantas, virou pra nós um menino-homem e começou: eu tive vida sofrida, sabe?!? Mas a aproveitei bem. Conheço cada canto desta cidade e, graças ao meu amor pelo futebol e pelo samba, as pessoas me conhecem aonde chego. Isso ninguém nunca tira de mim. E nem podem tirar.
Um silêncio tomou conta da mesa, onde se aglomeravam umas 10 pessoas. A minha posição de atenção foi acionada; mão no queixo. E ele continuou.
- Tive filhos muito cedo. Nem deu tempo direito de curtir a vida. Hoje são quatro. Quatro, garotada. Sabem o que significa isso? Significa numa casa pequena seis bocas pra alimentar. Se pedi coisas pros outros? Pedi sim. E ouvi: não quis fazer quatro filhos, agora queira alimentá-las também. O meu irmão é quase oito anos mais novo que eu e já está acabando a faculdade. Vai ganhar dinheiro e nem tem filhos pra sustentar. Nem casa pra gastar. E eu aqui, no bar, num sábado à tarde.
O silêncio se fez ao redor nesta parte do monólogo. Com uma concentração mínima, poderia se ouvir os mosquitos que insistiam dividir um tira-gosto posto à mesa. Continuou.
- Sabe o quanto é difícil ver tua filha perguntar se vai ganhar uma mochila nova pra escolinha, enquanto você tenta imaginar como vai fazer pra comprar tudo que precisa pra casa naquele mês? Difícil. Dói. Dói de uma forma que ninguém, além de quem já passou, sente. Fome, graças a Deus, nunca passaram. Nem passarão. Nem que preciso for trabalhar dias e dias sem dormir.
O silêncio prossegue. Os olhos daquele quase menino marejam. Mas forte, tal qual como a vida sempre lhe ensinou, não perde para a lágrima que insiste cair. “Já venci tantas partidas por aí. Não perderia para a emoção”, deveria estar pensando. Ele abaixou a cabeça. Firmou o olhar no chão e levantou-se de uma só vez.
- Mas eu não posso desistir. Vendo vocês eu não posso desistir. Vocês são tão novos e estão no pique e eu já me dando como derrotado? Não dá. Eu vou vencer isso tudo. Vou conseguir tudo que eu quero tendo que alimentar, vestir e educar os meus filhos. Isto nunca será um problema para mim. Pelo contrário, eles me dão é muita força. Já vou começar a estudar. Sabe, vou fazer aquele esquema de acabar o ensino médio em pouco tempo. Junto vou fazer computação e inglês. Daqui a uns dois anos eu começo um curso de música. Vou ser um músico profissional. Vocês vão ver.
O silêncio não durou mais que três segundos, mas pareceu um tempo maior. Em silêncio, o menino-homem que acabara de passar dos 30 anos de idade levantou discretamente. Num carro que acabara de parar, acenava insistentemente um senhor. O chamado foi respondido rapidamente e, com um tchau de quem diz “vou ali e já volto”, lá se foi o menino-homem. De chuteira na mão. Alguns sonhos na cabeça. E uma tarde inteira de sábado para, de novo, voltar ser somente menino.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pára! Tô ficando apaixonado!

Cid Barboza, jornalista na Rádio Capital e um dos personagens do documentário Contos da Várzea. Antes de dedicar uma postagem só sobre esse grande cara, separamos e filmamos um de seus contos da rapaziada da Vila Guarani, zona sul de São Paulo.

A equipe se preparava na preleção do jogo no vestiário. Você como é né? Todos concentrados. Preocupados. Com atenções voltadas para a difícil partida que estava por vim.

Com a palavra, o respeitado e experiente Vavá. Esse falava com emoção. Vavá conseguia tirar a empolgação da terra. "Vamos lá, time!" E o time ficava numa mistura de nervosismo, ansiedade e confiança. Concentração que durou pouco quando falou do centroavante adversário.

- Pessoal, só mais uma coisa! - e todos de cabeça baixa. - A gente precisa tomar cuidado com um centroavante dos caras. Um negão alto. O cara é forte. Peito inchado. Boa impulsão. Coxa grossa...

PÁRA PÁRA PÁRA VAVÁ POR FAVOR!!

Cid, esperado pelos companheiros, interrompoeu brucamente.

PÁRA VAVÁ, SE NÃO EU VOU FICAR APAIXONADO!

Pronto. Toda aquela concentração e empolgação tirada da terra, caiu por ela de novo. Risadas, gargalhadas e assim, em alto astral, foram pro jogo.

Cid Barboza vos conta!

"Transmissões Futebolistas" - Capítulo 4

Chegamos ao último capítulo do dia em que uma fotógrafa se aventurar no lamaçal dos campos. Imagine!

Anna (com dois "ns") trabalhou neste último São Paulo Fashion Week. Um dia, esteve no terrão, fotografando os marmanjos. Noutro, de olhos para encher de flashs das modelos gatíssimas na passarela.

Isso é contos da várzea!


“TRANSMISSÕES FUTEBOLISTAS”
Capítulo 3


Por Anna Carolina Negri


J. Alves baixou o tom de voz para falar sobre o momento mais difícil que passou. Disse que não poderia dizer o nome da cidade, já que todos saberiam quem fez isso. “A torcida fazia muita bagunça e atrapalhava a transmissão da equipe que estava no meio dela. Fui conversar com um cara que estava ali e, de repente, me vi fora do chão. Ele era o traficante da região, me levantou pela gola da camisa e olhou fundo nos meus olhos, até que ouvi alguém gritar: ‘Tá limpo, é o cara da rádio’ e ele me soltou. Tremi de medo, mas consegui fazer um acordo. Ele pegou o microfone e falou tudo o que quis sobre os políticos da região. Em troca, conseguimos paz para continuar o nosso trabalho”.



Na várzea se vêem poucos policiais, quando existe algum por ali. Não há divisão de torcida nem preconceito e “o churrasco é de lei”. No final dos jogos, o time da casa convida todos que estão no campo para comer um ‘gatinho’, sejam eles adversários ou familiares. E ai de quem negar.
J. Alves define a várzea como “uma coisa maluca, bem diferente do profissional. Eles correm atrás da bola como se aquilo dependesse da vida deles. A várzea é muito melhor. Quem está lá está porque gosta. Eles brigam para jogar” e ele para transmitir, já que ao ser questionado da possibilidade de ter que parar com seu trabalho, o analista após deixar fugir o olhar para o teto e se silenciar respondeu: “Eu vou dar um jeito de fazer, nem que seja com uma latinha e um fio”.

Anna, a equipe G8 agradece sua colaboração! Apareça por aqui hein!


Saiba mais de Anna C. Negri
http://www.acnegri.blogspot.com/

domingo, 20 de janeiro de 2008

"Transmissões Futebolistas" - Capítulo 3

“TRANSMISSÕES FUTEBOLISTAS”

Capítulo 3
Por Anna Carolina Negri
“Muitas vezes vamos transmitir um jogo num lugar onde não há espaço para nós. Então, subimos num telhado qualquer ou em algum lugar onde dá para ver o jogo. A narração é feita de lá há metros de distância do campo. Isso não é problema, pois é a nossa mania”. O trabalho nos campos de várzea são repletos de histórias e desafios constantes que parecem apenas incentivar a equipe da rádio.
J. Alves enfatiza que não é fácil trabalhar. Por outro lado, a equipe tem um apoio maior já que todos ajudam e os ouvintes estão logo ali. A comunidade se mobiliza para ajudar. “Ali você não é mais um, você é da rádio!”. Se o jogo acontece numa região muito pobre onde não existe linha telefônica, os moradores fazem ‘vaquinha’ para pagar uma espécie de aluguel da linha de alguém para que seja possível a transmissão. No entanto, nem tudo é tão fácil.


Os olhos se arregalam. As mãos vão em direção aos cabelos e a cabeça é jogada para trás levando o olhar ao teto. “Na várzea é o bumba meu boi”. A falta de estrutura permite que eles tomem chuva na cabeça e bolada na cara, mas enquanto uns jogam, eles driblam algo mais complicado do que a bola. Os jogadores e a torcida. As agressões entre torcedores são constantes e intensas. Durante os jogos todos se xingam muito, independente de quem estiver ali.
Todos são iguais no campo, seja ele traficante ou pai de família. “Eles jogam como se fosse final de campeonato. Correm, brigam pela bola, mesmo com os campos cheios de buracos. Os jogadores se arrebentam e nem ganham para isso, pelo contrário, muitas vezes pagam pelo campo e uniforme”. Mas isso não importa, já que eles estão ali por amor e prazer. “Tem cara que trabalha a madrugada toda, sai do trabalho e vem direto para o campo”.
Próximo e último capítulo e próxima foto nesta terça, dia 22.
Saiba mais de Anna C. Negri