terça-feira, 15 de julho de 2008

Interrompido!

Foto de Diego Viñas
Doze anos de idade. Nota dois em história. Camisa dez na bola.
Cinco metros quadrados para uma imaginação sem limites a beira do caos.
Zero de café da manhã. Corpo franzino, trinta quilos de carne e osso e canelas finas.
Mesada de dez reais por ano. Uniforme de quinze reais no camelô.
Cinqüenta balas vendidas por dia no farol.
Dezessete dias para achar uma chuteira desdentada no lixão.
Dois e trinta emprestados da vizinha para ir à peneira.
Dois gols marcados, de barriga vazia, em apenas quinze minutos de jogo.
Só pagou vinte na taxa de inscrição.
Como troco recebeu um não.
Três meses depois procurando emprego. Dois carros roubados no centro da cidade.
Quatro esquinas a frente uma bala de doze que entra no peito.
Morto aos treze do primeiro tempo de um estádio vazio.
Camisa dez num corpo antes hábil, agora inerte.

domingo, 13 de julho de 2008

O dia em que a zaga parou: se um olho o faz pecar...então que peque.

Os ânimos estão exaltados nos dois lados do campo. Nosso time ansioso pois era o primeiro jogo grande nosso. Grande mesmo. O campo era enorme. Se fosse exagerado diria que eu poderia correr a tarde inteira e mesmo assim não chegaria ao outro gol. Como não sou, acredito que chegaria sim, a muito custo, ao meio de campo. Olhei, confesso, desanimado para o outro time. Todos, sem exceção tinham mais de 1 e 80 de altura. E nós lá. Olhando a vida de baixo. Aliás, eu tinha uma leve impressão de que esta não era a última vez que iríamos olhar a vida de baixo, já que aquilo tudo parecia mais um “assassinato colletivo”, e não uma partida de futebol. A Cris estava tranqüila. Serenamente tranqüila. E nós lá, com aquelas caras de bobo, pensando: pô, a gente é que está acostumado com partidas difíceis e perigosas está tremendo e ela aí: tranquilona. Se fosse comparar a Cris, diria que ela era o Dunga da Copa de 94. A única diferença é que, ao contrário de 94, ela era a única mulher no campo de jogo.- Aquece! Aquece! A partida vai começar, meninos... e menina. Quem grita é o nosso treinador. Gostávamos muito dele, sabe. Talvez por causa de suas concepções técnicas e táticas mirabolantes. Que ficavam ainda mais mirabolantes quando bebia. Ou seja, ele era mirabolante o tempo todo. Os meninos do outro time não paravam de olhar a Cris. Quando digo isso, imaginem uma Avenida Paulista em horário de pico (atentem-se para a pronúncia correta da palavra, hem), com um monte de capas da Playboy fazendo o lançamento oficial da revista lá. Então, eram esses mesmos olhos curiosos que desfilavam no campo. Cris era, de fato, o centro das atenções (para você que chegou agora, a Cris é uma loira de olhos verdes muito bonita, e estava jogando com a gente no time). Até o outro técnico olhava pra ela. Às vezes me perdia em meus pensamentos e acabava caindo no olhar deles. E adivinhem pra onde olhavam? Adivinhe? O calção, que era apertado até para mim, parecia brigar com o corpo dela. E os meninos gostavam desta briga. Ah, se gostavam! O juiz chega. O jogo está prestes a começar. Olhada para um lado. Olhada para o outro. Uma breve parada na Cris, a 10 do nosso time, e o juiz coloca o apito na boca. Vai, juiz! Começa isso aí!

domingo, 6 de julho de 2008

Contos da Várzea na rádio

Olá, Amigos!!!

Neste sábado, estreamos o quadro Contos da Várzea na rádio Nova Difusora.

Este novo reconhecimento a você, boleiro, está no ar dentro do programa Difusora Esporte Clube, todos os sábados, das 8h às 11h da manhã. Confira este novo espaço conquistado pela sua verdadeira paixão, o futebol de várzea!!! Você também pode participar, entrar no ar e contar a sua história.

Em breve vamos colocar alguns trechos do programa. Não perca!!!

Um grande abraço!!!

terça-feira, 1 de julho de 2008

O dia em que a zaga parou: chegando no campo...

Todos saíram pelo Campo Limpo, zona sul, meio que com vergonha. Verdade, verdade mesmo, não deveriam ter. Mas tinham. E muita. Deixaram Cris andando na frente. Sozinha. Vez ou outra ela se virava e tratava de apressar o grupo: vamos, meninos. Senão chegamos tarde lá. Ora, eles marcam o jogo e é ela quem dá as ordens? O que menina sabe sobre futebol? Isso, aposto, era o que pensava quase todo o grupo. Digo quase, pois eu não pensava assim. Preocupava-me mesmo o fato de ir jogar num lugar que mais parecia Smalville, após ser atingida pela nave de Clark Kent, de tão fundo que era o campo. Ah, o lugar não era lá muito amistoso. Quebrada total. Não que quebrada não seja amistosa, mas esta, especialmente, não era. Vários nos olhando com cara de reprovação. Alguns de gozação: olha lá, que time comédia. A atacante deles é uma mulher. Rá rá rá. Outros que acompanhavam de bicicleta a nossa chegada estavam era mesmo hipnotizado. Lembra-se você que Cris era loira, linda e de olhos verdes. E os meninos se espantavam com isso. Tão linda. Tão mulher e jogando bola. Que estranho. Pensava: deixa-os falarem. A gente só joga. Na verdade a gente devia mesmo era rezar. E eu sabia disso. Escrevo isso, pois neste momento me lembrei de quando o time adversário entrou em campo...para eles o de jogo. Na minha cabeça praticamente o de extermínio. Que isso, meu Deus...que isso...
Continua no domingo. O de verdade.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Águia de Taboão da Serra

Quem nos conta é Luiz Antônio Teixeira, repórter esportivo, e o número 6 do Águia do município de Taboão da Serra, em São Paulo. Um exemplo de que Várzea é totalmente social.

Da esq p/ dir - Em pé: Luisinho, o técnico (camisa do Corinthians), lateral direito Beto, volante Alberto, goleiro Diego, meia Renato
zagueiro Cléber, volante Cição, zagueiro Mauro, zagueiro Ney e zagueiro Cabecinha.
Agachados: atacante Binho, meia Samuca, atacante Mika, meia Kaká, lateral-esquerdo Eu (Luiz), atacante Eduardo e volante Ronaldo.
"Este foi um jogo beneficente organizado no estádio do Taboão da Serra, visando ajudar uma creche e um convento de freiras do Jardim Myrna...o evento foi realizado no último dia 15 (de junho).

Arrecadamos 10 caixas de leites, das 6 equipes participantes e fizemos três decisões...
O nosso jogo vencemos por 4 a 2, diante do Myrna Futebol Clube

E entregamos as doações na festa junina"

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O agito da velha*

Por Victor Kingma

Naquela cidadezinha mineira, o fascínio pelo futebol era geral. Aos domingos, era de lei assistir aos jogos do Expressinho, nome dado em homenagem ao Expresso da Vitória, time inesquecível do Vasco e paixão do seu fundador.

Farmacêutico aposentado, seu Miranda era o técnico, médico e psicólogo do time, conhecido na região pela capacidade de reverter resultados aparentemente impossíveis. Várias eram as histórias contadas sobre viradas inesquecíveis, após suas preleções no intervalo.


Dona Xica, sua mãe, aos 85 anos, era a torcedora símbolo do time. Não perdia um jogo e, bandeira na mão, tinha até lugar cativo à beira do gramado.

Naquele domingo, sol de 42 graus, a coisa não estava indo bem para o Expressinho. Terminado o primeiro tempo, o placar apontava 2 x 0 para os visitantes.

Portas fechadas no vestiário, o técnico se reunia com seus atletas, tentando mais uma heróica façanha. De repente, um alvoroço. É o massagista, batendo à porta:

- Que tumulto é este?
- É dona Xica, seu Miranda! Está correndo feito louca, dando volta olímpica no campo com a camisa na cabeça, como o Rivaldo...
- Mas, o que houve?
- Ela estava com muito calor e eu fui ao vestiário e dei a ela um copo de suco. - Daquele que o senhor costuma dar pros jogadores...
- Nossa Senhora! Mamãe está dopada!

*conto retirado do site causosdabola.com.br

terça-feira, 24 de junho de 2008

Jogar contra ex-craques???

Futebol no Brasil é assim, todo mundo sabe jogar, todo mundo sabe comentar, enfim, todo mundo sabe tudo de futebol. Claro que há exceções, mas em geral todo brasileiro é o dono da bola. Todo grupo de amigos têm um time de pelada ou um time de futebol de campo que joga pela várzea mineira. E em geral todos se acham os melhores e a vitória tem que ser certa, no mínimo um empate.

O problema é quando se tem pela frente um time de ex-profissionais. Só boleiros, jogadores malandros que abandonaram os grandes times por causa da idade, mas a categoria continua a mesma. O que fazer? Essa é a questão que está causando controvérsias entre jogadores e dirigentes do caçula da várzea mineira, Clube Mineiro Democrático da Bola (CMDB). Alguns acham que tem que encarar, partir pra cima, não tomar conhecimento do adversário, esses são os mais otimistas. Já alguns mais realistas sabem da limitação do time e prefere que o jogo seja cancelado. Pensam que ir até Esmeraldas, casa do adversário, para tomar uma "sapatada" como se diz na gíria do futebol, é bobagem.

O dia do jogo está chegando e a dúvida continua no ar. Ir jogar, adquirir experiência e colocar no curriculo da equipe derrota (porque ela é praticamente certa) para o time do Paulo Roberto Prestes, Jorge Valença, Palhinha, Carlão ex – Atlético-MG, Nonato, ex –Cruzeiro entre outros? Ou desmarcar o jogo porque não vale a pena tomar uma carroçada e virar motivo de chacotas?

Com exceção do Dadá, os outros jogadores do nosso provável adversário

Texto extraído do blog: !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!UP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
http://felipeguirosalopes.blogspot.com/