terça-feira, 17 de junho de 2008

Vídeo - Breve documentário



Este é um documentário desenvolvido pela Ana Carolina Negri e alunos de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, turma de 2004-2007.

Um breve documentário sobre a luta do futebol de várzea contra a especulação mobiliária.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Várzea no Suzana

Por Mariana Garcia

No Suzana era dia de amistoso entre o segundo time da casa e o Nacional. Neste dia, o time principal teve sua partida adiada porque o adversário não compareceu. Yó, espécie de presidente do Suzana e também ex-jogador (apesar de dizerem por aí que essa história de ex-jogador não existe...) contou das várias conquistas do time fundado em 1953: campeão da Copa Centenário em 1998 e 2001, campeão amador em 93 e uma série de outros passando do juvenil ao sênior.

Mais bonito que os títulos, é o amor com que se dedicam ao time, só que isso é difícil de fazer caber em uma fotografia. Fica na foto a terra laranja misturada com umas gramas que sobreviveram ao sol e ás chuteiras, a trave com a tinta já desgastada e as jogadas feitas sob um sol escaldante.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Domingo é dia de alegria

Não há quem passe nas manhãs ensolaradas de domingo e não se contorça nos ônibus e automóveis para dar uma espiadinha que seja, num lance de algum jogo do E. C. Estrela D’Alva, do Grajaú, da zona beeem sul de São Paulo. Fundado no dia do trabalho de 1973, portanto completando 35 anos, o Estrela, como é conhecido e temido por muitos times, faz a bola rolar todo santo domingo.

Neste último, não me contorci como de costume. Sentei-me nas arquibancadas do “Estrelão” – tomo a liberdade de apelidá-lo assim, pois o campo se parece com uma arena e a visão é privilegiada – e assisti a todo o segundo tempo do Veterano A contra o nem tão veterano assim, Bahamas. Amistoso? Sim, mas vale troféu meu amigo. Os “coroas” do Estrela desfilavam um envolvente toque de bola diante da molecada do Bahamas, que ameaçava na velocidade dos atacantes. Já cheguei com a notícia: 1 a 0 pro Estrela, gol do centroavante Caio.

A pressão do Bahamas só aumentava e o Estrela recuou. Parecia inevitável o empate e o atacante do Bahamas protagonizou um lance digno de “bola murcha”, do Fantástico. O lateral do time dele arriscou de longe, encobriu o goleiro, mas acertou o travessão. A bola veio, quicando para o atacante que poderia até dominar, mas resolveu cabecear direto para o gol vazio. Gol??? Que nada!!! A bola atravessou caprichosamente toda a extensão do gol e saiu pela linha de fundo, à esquerda do goleiro, que caído, só observou e torceu pra bola sair.

Num chora garotinho, por Mariana Garcia (MG, sigla de Minas Gerais tá, não da fotógrafa)

Tiro de meta. Na saída de bola o Estrela encaixou um rápido contra-ataque iniciado pelo meia Waguinho. Ele lançou a bola ao lateral Biringa, que correu à linha de fundo e cruzou na medida para o artilheiro Caio mergulhar de “peixinho” e fechar o placar:

Veterano A do E.C. Estrela D’Alva 2 X 0 Bahamas.

Que alegria!!! É mais um troféu que vai pra galeria!!!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Vídeo - Futebol de Várzea no Jardim São Paulo



Mande seu vídeo para o maior blog de futebol de várzea do Brasil!

contosdavarzea@gmail.com

domingo, 8 de junho de 2008

O dia em que a zaga parou: apresentando os personagens

Para começar o time nem nome tinha. Ainda, salientava sempre os meninos; uns 8 amigos que fizeram curso juntos, mais alguns agregados encontrados pelo caminho. Na escola quase todo mundo ia mal - quem ainda não tinha desistido, claro - mas no campo do Jardim Maria Sampaio todo mundo era nota 10. Ou quase. O jogo de camisas, pego emprestado, era branco, com detalhes em azul e vermelho. Após cada jogo, claro, perdia totalmente estas cores, tornando inválida descrição feita por mim acima. Resumindo, o que fiz foi só perder uma linha no espaço deste blogue. Na verdade, verdade mesmo, eles até então jogavam com um uniforme laranja, ruim demais, mas que lembrava muito a holanda, e como a estatura média do time era de 1m65, o fato de lembrar um grande time poderia assustar alguém. E mesmo assustou, mas os candidatos a técnicos; um para ser exato. Quem conseguiu foi o Rodrigo, zagueiro do time (1m62). Me esqueço agora o nome dele, do técnico, mas o que importa aqui é dizer que ele até manjava de futebol, dava umas orientações interessantes táticamente. Foi uma pena a gente somente saber disso, já que os nossos jogos eram domingo à tarde, e domingo à tarde, na zona sul, é "Pingas Day", e o coitado ficava impossibilitado de ajudar alguém. Um certo dia tudo isso começou a mudar. o jogo foi domingo pela manhã; 9 horas (nota do autor: e nem por isso "Técnico" foi). Como o uniforme laranja fora confiscado (isso é uma outra história), o time pegou emprestado um outro jogo de camisas; branco. Porém as camisas vieram com um diferencial; a dona delas deveria jogar. Cristiane, popularmente Cris. Linda. Loira. Olhos verdes claros. Cabe aqui dizer que ninguém aceitou de imediato esta exigência absurda - uma mulher no time, onde já se viu?!? Só aceitamos depois de uma reunião entre os membros do time; tá certo que a reunião não durou mais que dois minutos, já que o Jean veio com um argumento irrefutável; se não aceitássemos esta condição, poderíamos nos preparar para pintar o número da camisa nas costas, na pele mesmo. Ninguém mais tinha jogo de camisas no bairro.
PS: esta história continua no próximo domingo. Se eu fosse você, como este time sempre fez, não perderia. Até lá. E grande semana.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Duque x Cruz da Esperança - O Revide

O Duque recebe em seu campo o Cruz da Esperança, timaço da zona leste. O jogo desenrolava-se normalmente, muito disciplinado. De repente o Cacareco, jogador viril, dá uma entrada violenta num pretinho de nome Zé Carlos, que está jogando muito. O Zé cai, grita, segura a perna atingida gemendo.

Dinho: O Cacareco do Grêmio gaúcho em 1995

Os jogadores do Duque sentem-se até envergonhados, afinal, o Duque é o anfitrião e uma equipe disciplinada. Os caxienses condenam a atitude do Cacá, que se justifica mostrando em sua coxa uma marca deixada pelo Zé Carlos num jogo entre Corinthinas da Vila Prudente x Nacional tempos atrás. E diz:

- Esperei um tempão para dar esse troco. Estou realizado.

- Levanta, neguinho!


Texto tirado do Livro: O Primeiro Chute - Essa várzea hilariante. Autor Walter Scott Vicentini, que nos concedeu uma grande entrevista no Doc. Contos da Várzea. Um belo livro com belas histórias da várzea, vale a pena conferir.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Disfarce perfeito!

Quem nunca precisou dar um jeito pra passar por desconhececido numa certa situação? Em algum momento da vida, usamos um óculos escuro, mudamos o estilo de se vestir ou mesmo atravessamos uma calçada pra não cumprimentar a vizinha chata que só de falar "oi", ela te conta a vida toda.

E foi assim que Ary, técnico do M.P.A.fc, do Pará, resolveu seu problema: disfarçando-se.

Primeiro em pé, à esquerda, Ary pousa sem disfarces com sua equipe

O cara treina tudo que é categoria. Sub-13, sub-15, sub-17 e o que tiver pela frente em nome do futebol e de seu time. Numa das competições da mulecada de 15 anos, Ary, irritado, xingou o árbitro. O problema foi que o juíz ouviu, ficou injuriado e resolveu punir o treinador que gritava sem parar.

De boné azul, ele olha, desconfiado, para não ser pego por alguém da Federação

Pegou 60 dias de suspensão. Pegaria, não fosse a brilhante idéia de se disfarçar.
Um boné... eu repito! Um boné, para Ary, foi o suficiente para que ninguém o reconhecesse. Sensacional!

Mas cá entre nós, muito melhor se ele resolvesse, simplesmente, pentear o cabelo pro outro lado.