quinta-feira, 16 de julho de 2009

Várzea lá em Portugal? Sim, ora poix!

É rapaziada! Por essaquase ninguém esperava. Conheci um fanático por futebol, um simpático português chamado David. Comecei a falar pra ele sobre nossos terrões e ele começou a contar como rola a várzea em Portugal. Em primeiro lugar, como falar isso por lá?

Time do Lusitano, time da região que nosso amigo David mora



BRASIL: FUTEBOL DE VÁRZEA
PORTUGAL: FUTEBOL DE DESTRITO

Se liga no racha dos caras. Lá, eles também levantam poeira.

PORTUGAL: PELADOS

BRASIL: TERRÃO

Olha essa foto, que defesa do goleirão, fala aí!



Muito louco né não? Mas é claro que descolei mais que isso. O cara me mandou um texto que resolvi publicar sem editar em nada, nem do jeito português típico deles. Ah é... e claro... esssas fotos que ele me conseguiu sensacionais.


David conta que é o mesmo sentimento da torcida de amor à região que mora

Não é porque são europeus que não de busão. Na humilde !

Do Santiago Bernabéu até aos pelados portugueses…
Por David, o português varzeano

Na apresentação de Cristiano Ronaldo, no Santiago Bernabéu, estiveram 80 mil pessoas, na sua maioria jovem adolescentes ansiosas por ver o físico do novo jogador ao vivo. Hoje em dia o Futebol é muito mais do que os 90 minutos de uma partida. O Futebol é moda, politica, religião… Estou certo que muitas das jovens adolescentes que foram ao estádio nem sequer gostavam de futebol, pelo menos, não eram adeptas fervorosas. Foram ao estádio, não para ver o jogador de futebol Cristiano Ronaldo, mas para ver o modelo Cristiano Ronaldo. Compreendo que isto hoje faça parte do futebol e não o estou a criticar.

Vamos olhar agora para outro estádio. Bem, não lhe posso chamar bem estádio, é mais um simples campo de futebol. Cento e cinquenta pessoas estão a ver um jogo de futebol, entre dois clubes amadores. Aqui o Futebol é diferente. Os jogadores em campo, embora pouco dotados tecnicamente, lutam com tudo o que têm pela vitória. Estes jogadores estão ali porque gostam, ao contrário dos jogadores dos milhões, estes homens têm os seus empregos e usam o futebol como meio para se divertirem. Quantos jogadores e futebol conhecemos nós que parece que não gostam da profissão? Vivem bem e jogam muito menos daquilo que realmente podiam jogar?E que diferença têm os adeptos deste jogo entre amadores e os adeptos que foram ver a apresentação do Cristiano Ronaldo ao Santiago Bernabéu? A diferença é que nenhum destes adeptos foi ver nenhum jogador por ser bonito ou por ter bom físico. Todas estas pessoas estão ali, pura e simplesmente, para ver um jogo de futebol… para ver FUTEBOL. É nestes campos de futebol que podemos encontrar a verdadeira gente do futebol, talvez desiludidos pelo negócio em que se tornou o futebol profissional.

Em Portugal, o futebol distrital é acompanhado de muito perto por todos os que têm orgulho na sua localidade. É uma questão de honra. Ao sábado ou domingo lá se juntam todos no campo local para defender as cores “da terra”. Embora estes jogadores sejam remunerados, muitas vezes é maior a perda do que o ganho. Recebem para a gasolina, e pouco mais. São pessoas normais que trabalham de dia e treinam à noite. É uma forma de fugir à pressão e ao stress diário do trabalho. Costuma-se dizer que “quem corre por gosto não cansa”, e este provérbio é bem aplicado nestes casos.

Eu, já joguei num clube amador, no escalão de juvenis. Lembro-me de um dia que estava a chover e estavam bastantes pessoas assistindo ao jogo de guarda-chuva. Lembrando outra vez o Santiago Bernabéu e as adolescentes que foram ver o CR9, não acredito que ficasse um jogo inteiro do Real a borrar a sua maquilhagem. Posso dizer que, embora sabendo que não ganhava dinheiro algum, sentia uma enorme obrigação de jogar bem. Porque? Porque via o esforço de muita gente para que eu pudesse estar ali. Podia nem ter grande habilidade mas era tratado como se fosse o melhor do mundo. Ligavam para mim se eu faltasse iam-me buscar a casa, levar… são pessoas com problemas diários mas que dão toda a sua devoção ao clube, porque acima de tudo, amam futebol.

O Futebol é mais genuíno quando é visto e jogado apenas pelo prazer de ver/chutar a bola. O dinheiro não compra tudo é verdade. O dinheiro não compra a paixão ou amor a camisola. O futebol amador, é um pouco o futebol de alguns anos, quando os clubes não tinham tanto poder económico e os jogadores faziam uma carreira sempre no mesmo clube. Não importa o contrato ou o prestigio, importa sim o AMOR.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Direto do Terrão - Quem falou que a várzea está de volta?

Salve rapaziada da várzea. No ar, mais um texto no site FutNet. Fiquei bravo nessa aqui, hein! Mas tô tranquilo, agora. É nóis!


Quem falou que a várzea está de volta?

Para quem me acompanha no twitter (@diegovinas) leu na última semana minhas manifestações sobre a cobertura da TV Gazeta sobre uma competição de futebol amador muito importante aqui de São Paulo. Trata-se da 2ª edição da Copa da Paz, que terminou no último fim de semana de junho. Antes de mais nada, não foi a cobertura do campeonato, mas apenas da final. Isso para começar!

Além da gente, a equipe do Contos da Várzea (contosdavarzea.blogspot.com), a reportagem da Gazeta também marcou presença. O que é bem legal na minha opinião. Só que fiquei um pouco chateado com a maneira que eles cobriram depois.

O pessoal vai só na final, não fazem a matéria no domingo depois do dia da final, soltam só na outra semana com o seguinte destaque na tela: O futebol de várzea está de volta!. De volta? Como assim, de volta? Para mim, que acompanho cada poeira do terrão, foi muito trsite saber que parte de nossos parceiros de profissão ainda tratam o futebol amador como novidade. A várzea sempre esteve aí, nunca foi embora para "estar de volta".

Pior que isso, foi o ilustre governador José Serra me responder pelo twitter sobre o assunto. Vou reproduzir na íntegra o que ele (ou o assessor, sei lá) escreveu.

"O futebol não acaba, as várzeas sim - com o avanço desordenado da urbanização. O Cambuci na minha infância era cheio de campos"

A seguir, minha resposta.

"Sim. No entanto, para os varzeanos, a termo "Futebol de várzea" continua vivo. Como jornalista, continuo na luta pela divulgação da genuína prática do futebol de várzea"

Como não bastasse tudo isso, nesta quarta-feira a TV Gazeta fez um reprise da matéria da final da 2ª Copa da Paz e, ao entrevistar os jogadores do Vida Loka, campeões do torneio, o repórter usou muito a palavra "favela" e usava muito o discurso de futebol de várzea como união de comunidades carentes.

Mesmo sendo em Paraisópolis, não consigo tratar ali com esse tom de dó. Acredito na várzea como um ambiente de socialização, de união de diversas classes sociais. Sei que estou sendo rabugento, mas não gosto de demagogia demais. Não acredito que os varzeanos precisem deste tipo de discurso. E a história dos times? Dos torneios? Temo que daqui um ou dois meses a emissora nem sequer vá lembrar do Vida Loka ou desse campeonato. Por isso espero, e muito, estar errado.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Contos da Várzea, o filme - Clipe Oficial

Pessoal,

Este é o clipe do filme oficial "Contos da Várzea". Sim, pra quem não sabia, tudo começou desse curta-metragem produzido por mim (Diego) junto com meus amigos e parceiros de terrão Rafael Dantas, Renato Rogenski e Tony Marlon.

Só pra deixar um gostinho de quero mais! Veja o clipe!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Até tu, José?!

Veja quem está comentando Futebol de Várzea no Twitter. E não é que é ele mesmo: oooooooooooooo governador.


sábado, 4 de julho de 2009

Racha em Petrolândia, PE

Mais uma vez, descolei uma com o pessoal do Mamofut. Lembra? Já falei dos caras aqui no Contos. Neste sábado, 4, estive na 15ª reunião no Museu do Futebol, e conversei com o jornalista pernambucano Mauricio Targino.

Várzea é fogo. Em menos de cinco minutos de papo, descobri o jogo que vale um bode no povoado de Petrolândia, em Pernambuco, quase divisa com a Bahia. Racha, 35 por 35, vários cabras armados, juiz escoltado. Mais? Então escuta ele mesmo contando.


Mauricio Targino.mp3 - Diego Viñas, repórter twitter