segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz bola velha!

Usei o mesmo título do meu último texto na coluna no site Futebol Total.

Segue o merchan:


http://www.futeboltotal.com/colunas/int_colunista.php?id=13&Tabela=Colunista

Faço questão de enfatizar o primeiro e o último trecho para fechar com chave de ouro a importante parcela que a várzea representou no ano de 2007!
Adeus bola velha

Retrospectiva 2007

Boleiro que se preze guarda as datas importantes da vida pelos anos que seu time foi campeão, ou que a seleção conquistou uma Copa. Verdade! Repara com você. Se um amigo, familiar fala que tal situação aconteceu no ano de 2002, você já associa com o ano do Penta. Para os são-paulinos, são inesquecíveis anos como 1992 e 1993, nem preciso falar o porquê. Assim como aconteceu com o palmeirense em 2003, o torcedor corintiano vai lembrar deste 2007 como o ano da queda, ano da vergonha. E agora, em 2008, como o ano da Série B. Não tem jeito!



Várzea

Este foi também o ano para o futebol de várzea. Digo como suspeito que acompanhei de perto os rachões pelos campos da cidade paulistana. Grande ano a todos da Guaianazes e São Mateus. Rapaziada de Lauzanne Paulista, Parque Novo Mundo, Vila Maria e Jardim São Paulo. Valeu a quem nos recebeu em Pirituba e nos campos da Freguesia do Ó. Salve salve Santo Amaro, Itapecerica, Campo Limpo, Capão Redondo, Vila Guarani e todos os varzeanos de plantão.

Finalizo para deixar meus votos de feliz 2008 à equipe G8 Sports que produziu (e fiz parte dessa turma com honra) o documentário Contos da Várzea. Um filme que é mais que a história do futebol amador. Representa a nata varzeana nos contos, na humildade, na importância do esporte na formação de uma periferia esquecida.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Conto, por Luis da UniSant'Anna

A UniSant'Anna foi a primeira campeã do Campenato de Futebol Amador da Federação Paulista, certo? Quem lê o blog já sabe disso. Luis, um dos jogadores, nos mandou um conto e, como muito nos interessa, postamos pra todos vocês. Segue:
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UNISANTANNA CAMPEÃ FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL AMADOR .

Obs:com um Jogador a menos o árbrito brincou com o nosso Futuro...rsrs.

E coisa eu não se disse na entrevista, mas a primeira final da federação eu assisti em casa junto com o meu Filho que está em umas das Fotos (um branquinho, meio Gordinho de camisa listrada e os primos dele).

Mas valeu, se Deus quis assim, creio eu que foi o melhor e graças a ele fui reintegrado e deu tudo certo. Joguei bem, fiz gol, dei elástico, dei chapéu, demos SHOW com um Jogador a menos........hauhauhauahuahauhauahuahuahuahuahuahuhauahua......

O Carlos Henrique camisa 8 é um amigo que eu levei da Faculdade para a minha vida e em uns dos e-mails que eu mandei pra ele nos dias em que eu fiquei de fora do time...... mandei a letra de uma musica do Claudinho e Buchecha: "Avião sem asa, foqueira sem brasa sou eu assim sem você...

Se puder fazer uma matéria e me mandar ou então colocar no site vai ser legal, pois vai ficar para a vida inteira.....

Obrigado... e Feliz NAtal... Vou Te ligar na Noite de NATAL. Abraços.
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Maravilha... e deu a meia noite de Natal, não é que o cara me ligou mesmo? Juro!
- Pô Diego, num falei que ia ligar? Feliz Natal, ano que vem é nóis e tal!

Muito legal hein! Isso é Contos puro e nato!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Diego apóia Contos da Várzea

No último sábado, dia 22, no sítio do ex-santista Diego, hoje no Werner Bremen (ALE).

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Tô cego juizão!!!!



Essa história vem lá da Portuguesinha da Vila Mariana, zona sul de São Paulo. No início da década de 80 existia no campo da Portuguesinha um centroavante chamado José Carlos, vulgo “Zé Carlinhos”.

Os mais antigos diziam que ele espetacular, exímio matador, batia como ninguém na bola, tanto de direita, quanto de canhota. Pelo auto, não tinha pra ninguém, nem Dadá Maravilha poderia fazer melhor, segundo eles, é claro. Pra quem não se lembra, o ex-jogador, tricampeão da Copa de 70, no México, imortalizou a famosa frase: “Só três coisas param no ar, o helicóptero, o beija-flor e Dada”, hilário...

Zé Carlinhos defendeu as cores de dois tradicionais clubes da Várzea, o Moleque Travesso da Vila Guarani (também na zona sul) e a Portuguesinha. Mostrava-se habilidoso e, na maioria das vezes, sagrava-se artilheiro dos campeonatos que disputava.
Conhecia os atalhos dos campos como ninguém, fazia miséria com os zagueirões da época. Todos tentavam, sem sucesso, parar o camisa 9, no entanto, era quase impossível parar o ágil negro de pernas finas. Uma vez conseguiram-lhe parar, e dessa vez foi pra sempre. Uma pancada no joelho que acabara com o sonho de se tornar profissional. Muitos dizem que se não fosse essa contusão, com certeza o jogador iria triunfar pelos campos a fora.

Tinha várias artimanhas para amarrar ou acabar com os jogos. Quando seu time perdia, os meias o procuravam incessantemente na esperança que decidisse a partida. Quando estavam ganhando, aí era festa. Levava a bola para a lateral do campo e pronto, lençol, carretilha, rolinho, drible da vaca, elástico e por aí vai. A torcida ia à loucura.

Porém, há um artifício usado pelo ex-jogador de várzea que entrou para história. É hilário. Isso mostrava toda a sua irreverência dentro de campo. Aqueles que jogam várzea sabem que durante um jogo vale tudo ou quase tudo. Nos momentos dos escanteios, Zé Carlinhos usando da sua malandragem adquirida nos campos de terra batida, abaixava-se e segurava um pouco de terra em suas mãos. Quando o jogador batia na bola, o centroavante dava uma “olhada marota” pro juiz e outra pro zagueiro e atirava-lhe terra na cara, era o tempo para subir sozinho e marcar o gol de cabeça. Em fração de segundos corria para o abraço. Só dava tempo de escutar: Juiz, tô cego! Joga bola meu filho, não vi nada.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Clipes do Contos

Torcida do Vila Nova de Guaianazes

Final do primeiro campeoato de futebol amador da Federação Paulista de Futebol.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Pinta o 7 com pé no chão

Essa veio direto do sul do país, enviada pelo nosso colaborador Eduardo.
Em meados da década de 50, o time do SACE de São João do Polesine foi num torneio para a inauguração das camisas do Avenida de Agudo. Os jogadores da SACE jogavam quase todos de pés descalços, mas, mesmo assim, conseguiram chegar à final do torneio contra o time da casa, o Avenida.

Fotos: Getty Images

Antes da final, houve uma grande aposta, na qual várias pessoas apostaram. A maioria dessas apostas era que o time da casa (com jogadores calçando chuteiras) iria golear a SACE. Por outro lado, numa aposta solitária, algum otimista dizia que a SACE iria golear o Avenida por 7 a 0. Numa outra, valendo uma caxa de cerveja, dizia que ia dar 11 a 0 para a SACE.


Começou o jogo e a SACE colocou os 7 a 0, conforme na primeira das apostas dos jogadores. Mas ainda faltava um grande tempo de jogo e ,para não perder a aposta, os jogadores iam até a área adversária e voltavam para evitar o gol.

Assim a aposta de 7 a 0, que era muito mais lucrativa que a outra, foi ganha e o time inteiro ficou até tarde tomando cerveja, o que provocou várias brigas em casa com suas mulheres.

Um desses jogadores era meu avô.

Dudu

domingo, 16 de dezembro de 2007

Vila, a minha vida é você!!!

1º Campeonato Paulista de Futebol Amador

Torcida Vibrante

Foram 128 equipes! Chegar na final é um grande desafio. E assim, a torcida do Vila Nova de Guaianazes roubou a cena neste domingo na final do primeiro Campeonato Paulista de Futebol Amador - futebol de várzea, pô - oficial.

União na bateria


Mesmo com o vice-campeonato (UniSant'Anna foi a equipe vencedora) a torcida veio em peso. "Trouxemos quatro ônibus", afirmou o presidente da equipe, Valter Nunhezi.

Mais que uma paixão, o time do Vila Nova representa que o amor pelo futebol de várzea existe em Guaianazes. "Lá no bairro as pessoas falam que torcem pelo Vila Nova. O segundo time é o Corinthians, São Paulo e tal.", conta Nunhezi.

Que Milan! Deu UniSant'Anna

Comemoração dos jogadores do UniSant'Anna.
1º Campeonato Paulista de Futebol Amador
No estádio Ícaro de Castro Melo, o assunto foi a final do Primeiro Campeonato Paulista de Futebol Amador da Federeção. Milan e Boca no mundial da Fifa? Que nada! Em campo, o time da UniSant'Anna, da zona norte, contra o Vila Nova de Guaianazes, zona leste.
Depois de um primeiro confronto sem gols em São Bernardo, no segundo jogo, deu o pessoal de Santana. Placar final: 3 a 1. UniSant'Anna é o primeiro campeão de futebol amador reconhecido pela Federação Paulista de Futebol.

O centroavante, estudante de administração e camisa 9, Tiago, fez dois para o UniSant'anna. O meia Luis Henrique (foto), de Educação Física, fez o terceiro. E Douglas, zagueiro, descontou para a equipe da zona leste.
Parabéns UniSant'Anna!






Jogadores aplaudem festa da torcida do Vila Nova

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Pega a galinha aê rapá !

Autor: Celso Júnior
Futebol de várzea entre as equipes do Ajax, da favela Paraisópolis; e Panela, do Jardim Ângela em São Paulo.
Comentários retirados do olhares.com - fotografia on line

Ed Ferreira
um dia com a selecao brasileira,outro na selecao de varzea...assim o bom fotografo mostra o seu trabalho...

Salvatore Casella
cara não me aguento de tanto rir... o cara ta parecendo uma galinha com esses braços levantados....o galo deve ta atras dele e não da bola..heheehehe bela e alegre foto...muito bom junior....1000*
Gustavo Miranda
Acho que depois da pelada vai rolar uma galinha ao molho pardo. Boa foto Celsinho! belo momento.
Sergio Lima
... Nascedouros de novos Robinhos... pedala franguinho... Muito bom Cardeal!!!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Enquete - Copa Kaiser

Dos semifinalistas desse ano,
quem tem chances de levar a Copa Kaiser em 2008?
GDR Danúbio / Freguesia do Ó
EC Nápoli / Vila Industrial
GR AG Madeiras / Brás
GE Lagoinha / Vila Maria
Quer votar? Entre na comunidade
"Contos da Várzea" do Orkut.

Não deixe seu time perder essa hein!

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=32630773

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A Várzea - Capítulo 5

Por William Ferreira Cassemiro (foto)


Na várzea

- Não lembro... – Paulo fez uma cara de quem não fazia a menor idéia de que história Ademar falava.
- É, tava doendo muito... fazer o quê? – o homem disse – Eu falei pro pessoal que tava doendo, aí eles jogaram a “água benta”, passaram a faixa e disseram pra mim: vai lá, vai lá! Joga que passa... Naquele tempo não tinha essas frescuras que tem hoje não, jogador tinha que jogar.
- E num era? Eu falo isso, num falo Paulo? – perguntou Ademar.
- Fala sim. – concordou Paulo.
- Seu Jorge... esse homem, com a perna enfaixada!!! Enfaixada!!! – dessa vez o tapa foi em Jorge – Sabe o que é isso? Jogar com a perna enfaixada... O senhor já tentou correr com a perna enfaixada? Hum... deixa eu te contar... moço, ele pegou a bola na meia cancha...
- Foi... – concordou o homem.
- A perna enfaixada!!! Presta atenção nisso!!! Dava pra ver a faixa na coxa direita dele. – e Ademar apontou para a coxa do homem.
- Não, – o homem fez uma cara de contrariado – era na esquerda.
- Era? Não era na direita? – Ademar ficou um tempinho pensando – Ah tá... agora lembro bem... lembro bem... era a esquerda mesmo... Seu Jorge... Escuta só... Oh Paulo, presta atenção... No que ele recebeu a bola já deixou o primeiro pra trás, é... porque jogador bom não perde tempo... já recebeu dando um toque pra frente e tchau zagueiro...
- É... o coitado ficou com uma cara de “Deus me livre”. – o homem completou.
- Só nisso a defesa já foi pro brejo... – Ademar, empolgado, ia se mexendo todo esquisito para tentar mostrar como foi o lance – era ele abrindo pra direita e a defesa correndo que nem doida de frente pro gol... E o técnico então? Seu Jorge, o senhor já viu técnico quando percebe que o time vai tomar gol? É um desespero só: “corre fulano, pega sicrano, olha o meia livre... marca ele... volta, ajuda!!!” Isso pra num falar os palavrões porque tem criança perto. Mas moço... quando esse homem chegou na frente da área ele viu o goleiro saindo desesperado,,, Sabe o que ele fez? Moço, o senhor imagina o que ele fez?
- Deu um totozinho por cobertura? – respondeu Jorge e se afastou para evitar o tapa.
- Não... – Ademar agitou o dedo negativamente – não fez isso não... mas eu vejo que o senhor joga futebol... num joga?
- Eu tento – disse Jorge.
- Porque se num jogasse num ia saber dizer isso que o senhor disse agora... E o senhor só num tá certo porque a gente tá falando dele... – Ademar apontou para o homem – Eu também, que eu já joguei minha bolinha, não como ele, mas joguei... eu também ia dar um toque por cima do goleiro...
- É... todo mundo fala isso. – disse o homem.
- Mas esse homem aqui, Seu Jorge... ele num fez isso não... não... isso era fácil... ele partiu pra cima do goleiro... – e lá foi outro tapa de Ademar no peito do homem.
- Eu gosto do drible, tinha que driblar... perco o gol... mas vou pro drible... – o homem pareceu mais confortável com a situação.
- Perdia nada... – retrucou Ademar.
- Perdi alguns... – disse o homem.
- Uns 2 ou 3... que eu vi, 2 ou 3 no máximo! – disse Ademar.- Foi mais... – o homem insistiu.
- Mas esse você não perdeu... – arrematou Ademar.
- Esse não. – confirmou o homem.
- O goleiro até hoje não sabe por onde você passou. Deve tá te procurando ainda... – Ademar soltou outra gargalhada.
- Dei sorte... foi pena que a gente perdeu aquele jogo. – o homem disse e fez cara de choro.
- Não perdeu, não... foi 2X1 pro Quinze! – disse Ademar.
- Foi... pro Quinze de Pirápolis. – disse o homem.
- Então... – Ademar fez cara de quem não estava entendendo.
- Eu era do Quinze de Bananais. – disse o homem.
- O quê? De Bananais? Você é o... o... – Ademar parecia não acreditar.- O Doda, meia do Quinze de Bananais, vice-campeão da várzea paulista em 62, 63, 64 e 65. – o homem disse sorrindo.
- Não acredito... O Doda? – Ademar ficou de boca aberta olhando para Doda.
- É... sou eu. – sorriu Doda.
- Mas eu não acredito... o Doda? – Ademar estava paralisado.
- Sou, sou eu mesmo. – disse Doda e devolveu um tapa no peito de Ademar que, surpreso pela revelação e pelo tapa, virou as costas para Doda e falou:
- Paulo, lembra de uma história que eu te contei de um meia, que jogou os campeonatos de 62, 63, 64 e 65?
- Mais ou menos... – Paulo respondeu meio indeciso.
- Então... – agora Paulo foi a vítima do tapa de Ademar – era esse o nome do cara... Doda!
- Eu mesmo!!! – Doda interrompeu sorrindo para os dois.
- Cara, – Ademar olhou feio para Doda – mas você era ruim demais... dos piores meias que eu vi jogar. – e com o dedo em riste virou-se para Jorge – Moço, esse seu vizinho afundou o time de Bananais por 4 anos! Vamos embora Paulo.Paulo olhou para Doda com desprezo.
- Vamos... seu pereba!!!



sábado, 8 de dezembro de 2007

A Várzea - Capítulo 4

Por William Ferreira Cassemiro

Na várzea

- É, ele me falou que jogava uma bolinha no fim de semana. – disse Jorge.
- É... é verdade, falei mesmo... – confirmou o homem.
- Bolinha? – Ademar não se conteve e riu. – Aha ... Meio time... ele era meio time do Quinze! Esse cara jogava muito... – na empolgação, Ademar batia no peito do homem – E aí? Tá apreciando esses pernas de pau? Homem, como tem nêgo ruim de bola na várzea hoje... No seu tempo é que a várzea era boa... Pode pegar qualquer um daquele tempo, qualquer um!!! Se por nos times de hoje vira um craque, num tô falando de time do Brasil não, viu Seu Jorge? Qualquer time do mundo!!!
- É... – o homem, quase querendo se esconder de vergonha, concordou.
- Eu conto pros meus netos, não conto Paulo? – e antes que Paulo pudesse responder Ademar continuou – Conto sim: futebol era futebol mesmo na várzea dos anos 60, hoje só tem esses pernas de pau.
- É... é o que eu tô vendo... – o homem continuou concordando.
- Eu não disse que ontem mesmo eu tava contando pro Paulo, num foi Paulo?
- Foi sim. – Paulo não sabia se prestava atenção ao jogo ou ao Ademar.
- Tava falando daquele lance seu... – Ademar não parava de gesticular.
- Qual? – perguntou o homem.
- Aquele... – disse Ademar levantando as sobrancelhas e inclinando a cabeça.
- O de cabeça? – o homem fez uma cara de quem não sabia o que dizer.
- Não... – Ademar inclinou a cabeça pro lado esquerdo, bateu com as costas da mão direita na palma da esquerda fazendo um barulho que assustou o homem e explicou:
- Aquele pelas canetas do zagueiro...
- Ah... sei... foi sorte. – respondeu o homem.
- Sorte? – Ademar arregalou os olhos – Sorte do zagueiro, se não fosse você ter feito aquilo eu nem me lembraria dele. Pode ter certeza que muita gente só lembra daquele zagueiro por causa de você... Também... coitado... você gostava de driblar o infeliz, né?
- Ah, eu sempre fui de driblar... pra mim, é melhor que fazer gol! – finalmente o homem deixou de parecer encabulado.
- Homem, eu te digo... Hoje não tem driblador que nem nos anos 60... Tem Paulo? Tem Seu, Seu... Como é mesmo o nome do seu vizinho? – e Ademar deu com as costas da mão no peito do homem.
- É Jorge. – respondeu ele.
- Tem, Seu Jorge? Me diz? – e aproximou-se do moço.
- Tem não. – Jorge respondeu se afastando um pouco de Ademar.
- Não digo? Tem mesmo não... Hoje mal, mal o camarada sabe fazer uma “firulinha” e já vira fenômeno... Fenômeno!!! Eu dou risada quando escuto isso... – foi engraçado o modo como Ademar tentou mostrar o que era uma “firulinha”, com aquele corpo pesado se balançando de um lado pro outro, se não houvesse se segurado em Paulo o tombo seria inevitável.
- É... O pessoal exagera um pouco, – concordou o homem – mas tem muito garoto bom de drible ainda.
- Tem nada, o que tem muito é marcador ruim, – discordou Ademar e apontou para o campo – olha só... olha lá... olha... olha... aí... tô falando... – e deu de novo com as costas da mão no peito do homem – diz pra mim, não... diz pra mim, aquilo é drible que dá pra tomar? Tava na cara que o meia ia pra direita. Num tava Paulo?
- Claro... na cara. – concordou Paulo.
- Como é que alguém toma um drible desses? Não é o meia que é bom não, viu Seu Jorge? – Ademar puxou o assustado Jorge pelo braço e falou como se confidenciasse – É o marcador que é ruinzinho mesmo.
- É... o garoto vacilou agora. – interferiu o homem.
- Você tá sendo bondoso, – outro tapa no peito do homem – ele vacila toda hora... Lembra do zagueirão do Quinze?
- O Zé Mário? – o homem respondeu como quem pergunta.
- Não lembro o nome dele... Acho que era esse mesmo... um grandão... – Ademar disse levantando o braço à altura do zagueiro.
- Era o Zé Mário. – o homem sorriu e confirmou – Zagueirão.
- Então rapaz, ele tomava um drible desse? Paulo escuta essa... me diz o senhor, que jogou com ele: Ele tomava um drible desses? – disse Ademar enquanto mandava outro tapa no peito do homem.
- Nunca! – o homem respondeu já ficando mais para o lado, tentando evitar o próximo tapa.
- Então... – Ademar balançava a cabeça negativamente – acho que nem hoje ele tomava... porque ele pode tá aí com seus... seus 65, 70 anos? Mas vou te falar uma coisa... sabe muito de bola... Não tem molecagem na frente de quem sabe de bola... o camarada podia se contorcer pro lado que fosse... ele ficava ali... só cercando... quando o sujeito via... já tava sem espaço pra cruzar... perdia a bola.
- Passei muito por isso, – disse o homem abaixando a cabeça – tinha uns zagueiros que faziam assim mesmo, acabavam com o espaço.
- Você? Pára com isso. – retrucou Ademar – Eu não lembro de ter visto nenhum zagueiro fazer isso com você... eu lembro, viu Seu Jorge? – e puxou de novo o moço pelo braço – Presta atenção! Eu lembro é dele deixando a zagueirada perdida! Isso eu lembro!!!
- Não exagera, – o homem voltou a se envergonhar – fui muito bem marcado, teve jogo que eu rezei pra não receber bola porque sabia que o zagueiro ia ganhar.
- Que que é isso? Você? – nesse momento Ademar deu uma risada tão debochada que chamou a atenção até de quem estava em campo – Você rezando pra não receber bola? Só se fosse porque tinha dó do zagueiro. Quer dizer... tinha dó de alguns, né? Que a maioria comeu o pão que o diabo amassou na sua mão ou melhor, no seus pés!
- É... talvez... – o homem deu um sorrisinho amarelo – Tá, tá bom, um ou outro, não posso negar.
- Como é? Um ou outro? Ah... a idade te deixou muito modesto. – e Ademar disparou outro tapa com as costas da mão direita no peito do homem, que havia se descuidado da distância – Deixa eu contar pra esses dois aqui um lance que eu lembro, foi o seguinte... Presta atenção Paulo, escuta seu Jorge, foi o seguinte, esse cara recebeu a bola na meia cancha... – Foi nesse momento que o time local iniciou um contra-ataque e o homem aproveitou para tentar evitar que Ademar o deixasse mais constrangido:
- Opa, que bolão!!! É agora... espera aí... vamos ver esse lance... apóia lateral, vamos!!!
A bola foi lançada na esquerda, o zagueiro tentou deixar o lateral impedido, mas o bandeira mandou seguir. O ataque levava clara vantagem com o centroavante fechando pelo meio da área. Tudo o que o lateral tinha de fazer era cruzar na medida para o chute.
- Vamos!!! Isso!!! Joga na área, na área... – o homem se empolgou mas logo viu que não ia dar em nada – Ah não, puta que pariu... olha isso... ah... não é possível! Aquilo é lateral? É brincadeira, viu?... É parece que é o que você falou mesmo... Hoje qualquer um é jogador... no meu tempo um lateral sabia pelo menos cruzar.
- Nossa, no seu tempo... cê num vai fazer essa sacanagem com você mesmo, né? Não vai se comparar com esses perebas aí... Deixa eu continuar... – outro tapa de Ademar no peito do homem – olha Paulo, presta atenção Seu Jorge...eu já te falei daquele jogo que o nosso craque aqui entrou com a perna enfaixada, Paulo?
- Não lembro... – Paulo fez uma cara de quem não fazia a menor idéia de que história Ademar falava.

Continua na próxima terça o último capítulo da série A Várzea.

domingo, 25 de novembro de 2007

A Várzea - Capítulo 3

Por William Ferreira Cassemiro


Na várzea
O homem respondeu, meio sem jeito pela abordagem nada discreta - É... Sou eu sim!
- 62... 63... Meia do... do... do Quinze? – Ademar perguntou e pôs as mãos sobre a cabeça.
- Eu mesmo, o tempo judia da gente... Mas sou eu. – o homem continuava desconfortável, Ademar tinha o “dom” de fazer com que as pessoas ficassem sem graça.
- Rapaz, judia dos outros... Você ainda tá bem. Esse é seu filho? – Ademar apontou para o rapaz que estava ao lado do homem.
- Bondade do amigo. Esse é o Jorge, meu vizinho. – respondeu o homem.
- Bondade nada. Ainda ontem eu tava falando aqui pro meu amigo Paulo... – Ademar se virou procurando pelo parceiro e ao ver Paulo na arquibancada, entretido com o jogo, não pensou duas vezes e gritou: - Paulo... Paulo... Corre aqui rapaz!
Paulo obedeceu ao amigo imediatamente, tanto que quase caiu da arquibancada para chegar mais rápido - Pô Ademar, esse time tá muito lento, que que foi? Você conhece mesmo? Eu não falei que você conhecia? – e Paulo sorriu batendo nas costas de Ademar.
- Mas como eu tava falando, ainda ontem eu contei pro meu amigo Paulo aqui: vi muito craque jogando na várzea...
- Falou mesmo. – confirmou Paulo.
- Então Paulo, esse aqui é aquele meia que eu te falei... – disse Ademar já quase abraçando o homem.
- Aquele do... – Paulo coçou a cabeça.
- É... aquele... aquele do Quinze... – Ademar fez um gesto com as mãos mostrando impaciência.
- Aquele? Nossa! Ele falou muito... O senhor é um craque!!! – a empolgação de Paulo irritou Ademar.
- Que muito nada... falei pouco... Que é assim, né? Se falar tudo o pessoal pensa que é mentira... num é? Olha moço, seu vizinho foi um craque, um craque moço!!! – Ademar começou também a se empolgar.
- É, ele me falou que jogava uma bolinha no fim de semana. – disse Jorge.
- É... é verdade, falei mesmo... – confirmou o homem.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A Várzea - Capítulo 2

Por William Ferreira Cassemiro

Na várzea
- Que cara? O de azul?
- Não porra, aquele... – disse Ademar batendo com força a mão na coxa e apontando – aquele... junto com o outro...
- Junto com o outro? – Paulo se levantou para procurar melhor – Ah tá... aquele com o outro... que que tem? – ainda sem saber de quem Ademar falava.
- Acho que conheço ele. – e coçou a cabeça.
- Ah... você conhece todo mundo. Eu nunca vi homem pra conhecer mais gente do que você! – Paulo disse, tentando voltar a prestar atenção ao jogo.
- Quer saber? Vou lá ver se é quem eu estou pensando... – Ademar se levantou com certa dificuldade e foi descendo de encontro aos homens junto ao alambrado. Um deles, o mais velho, aparentava ter seus 60 anos, magro, quase calvo, olhava o jogo com tanta atenção que nem percebeu quando Ademar o chamou:
- Ei... Você não é... o... o... – nenhuma resposta, somente quando Ademar conseguiu tocar em seu ombro esquerdo foi que o homem respondeu:
- Que foi? – disse o homem virando rápido a cabeça em direção a Ademar.
- Não acredito... É você mesmo? – Ademar forçou um pouco a vista.
O homem respondeu, meio sem jeito pela abordagem nada discreta - É... Sou eu sim!

williamcassemiro@globo.com



Não perca o terceiro capítulo, neste domingo!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Conta, por W.Cassemiro

A Várzea - Capítulo 1


Esse é o seu espaço. William escreveu sua história e mandou para gente. Durante 5 capítulos, Will vai ter seu conto postado no Contos da Várzea.

Manda ver Will!



Por William Ferreira Cassemiro
36 anos, casado, pai de 2 filhas adolescentes. Formado em eletrônica e estudante de Letras na USP. Escrevo há pouco tempo e isso certamente foi influenciado pelas leituras, principalmente Hemingway, que sempre adorei. Feedback:
williamcassemiro@globo.com


Na várzea
Toda manhã de domingo, com chuva ou sol, todos sabiam, principalmente os jogadores e técnicos, que aquela dupla estaria no mesmo lugar: o lado esquerdo da pequena arquibancada coberta do campo de várzea do bairro. Era um ritual: chegavam caminhando lentamente, pois Ademar e seu peso ideal não se viam há muito tempo, como ele gostava de dizer. Paulo era uns 30 anos e 50 quilos mais jovem. Passavam pelo bar, Ademar reclamava do cheiro do lixo e do banheiro com quem estivesse por perto, pegavam a primeira cerveja, os saquinhos de amendoins e subiam às arquibancadas. A amizade dos dois era algo intrigante. Pareciam, mas não eram, pai e filho. Não que Ademar fosse muito atencioso com Paulo: poucas foram as vezes que demonstrara algum apreço, não apenas pelo amigo, mas com qualquer pessoa. Alguns estranhavam como Ademar o tratava, como se estivesse falando com uma criança, mas mesmo assim, por menos delicado que ele fosse, os dois sempre estavam juntos: Ademar contando histórias e Paulo confirmando as opiniões do ranzinza. Os jogadores, além do amigo capacho, também sofriam. Qualquer falha era motivo de sobra para Ademar esbravejar, ninguém era poupado, ele sempre sabia como é que o jogador devia ter feito para resolver o lance da melhor forma, e sempre emendava:


- Hoje só tem pereba na várzea, que saudade dos anos 60! Ainda bem que tenho uma boa memória! Não esqueço nada Paulo, nada!!!
- É verdade, invejo sua memória! – confirmava o amigo.


Naquele domingo o ritual se repetiu, mas alguma coisa chamava a atenção de Ademar e ele não prestava atenção ao jogo. Alguns dos jogadores estranhavam a ausência de seus berros e olhavam para o cantinho da arquibancada, sempre que possível, para ver se ele estava mesmo lá. Paulo, como sempre um pouco lento de raciocínio, demorou a se dar conta de que seu amigo olhava constantemente para uma dupla que assistia ao jogo junto ao alambrado, uns 20 metros à direita de onde estavam.


- Paulo, – chamou Ademar coçando a cabeça – olha aquele cara ali.
- Que cara? O de azul?
- Não porra, aquele... – disse Ademar batendo com força a mão na coxa e apontando – aquele... junto com o outro...



Capítulo 2 ainda nesta semana. Não perca!

domingo, 18 de novembro de 2007

A chapa esquenta no Capão!

Esse é o Treme-Terra no calor da batalha!


Capão Redondo, meio-dia. O sol forte empresta tons amarelados a terra batida.

No vestiário não há chuveiro. Na beira do campo a torcida soa descamisada.

Esse é o primeiro Torneio do Parque Independência.

Contos da Várzea esteve

lá no extremo sul da zona sul para acompanhar mais um domingo de muita bola rolando.

Em campo somente as melhores equipes da região.

A Chapa Esquentou e a poeira subiu!

Mas, a maior surpresa está prevista para a próxima rodada.

Os principais rivais da "quebrada", Parados e Treme-Terra vão se enfrentar num duelo de Titãs.

Que rufem os tambores! Preparem o coração... Vamos contar tudo com detalhes no dia 02 de dezembro!

Não percam!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Árbitro leva "Voadora"

Numa noite dessas, olhando recados no orkut, e recebi um recado de Eduardo. Ele me mostrou uma nota que saiu no seu site com a seguinte chamada: Aconteceu na várzea. Árbitro manda repetir penalidade e leva “voadora”
Eduardo Gouvea viu, fotografou e nos contou.

"Vamos lá. Isso aconteceu ano passado. Acho que foi no dia 28 de novembro. Era a final da terceira divisão (isso mesmo terceira) do campeonato varzeano de Votorantim. Eu estava fotografando a comemoração do outro time, quando vi esse maluco passar correndo na minha frente.
Só deu tempo de virar a camera para onde ele estava e bater a foto, só quando cheguei em casa fui de fato ver o lance. Os dois times já estavam classificados para a segunda deste ano. Esse jogador já havia sido expulso no tempo normal e estava do outro lado do muro enchendo o saco.

Como o jogo no tempo normal terminou 2 a 2, a decisão foi para os pênaltis e o arbitro mandou voltar algumas cobranças porque os goleiros se adiantavam. Sendo assim o goleiro do Celtic (que é o time do maluco que deu a voadora) defendeu a ultima cobrança do CDHU – o que lhe daria o título – mas o árbitro mandou voltar, alegando que o goleiro tinha se adiantado.

Pois bem, a nova cobrança foi convertida e o Celtic acabou perdendo sua penalidade seguinte, o que eu o título para o CDHU. Após isso, ocorreu o fato mostrado na foto.

A PM teve que entrar no meio, daí viu-se de tudo, até um cara avançando com uma moto para cima dos policiais e uma mulher que foi apartar a briga acabou tomando uma borrachada (segundo dizem os que estavam no meio). Sei que no final das contas todo mundo foi parar na delega. Tem outras histórias loucas daqui da época em que eu cobria várzea. Já até "participei" de uma briga".

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Drible da vaca... ou na vaca?

Essa aconteceu em setembro de 2005 pros lados de Pirajussara, pra lá do bairro do Campo Limpo, próximo ao município de Taboão da Serra. Quem me contou foi Rogério, o goleiro, e são paulino, mas não o Ceni. No meio da braquelada (foto).
Seu time era a Agremiação Desportiva Jardim Paulistano.
A partida acontecia no meio de um verdadeiro pasto. "A gente driblava todo mundo. Dava chapéu no adversário e jogava debaixo das botas da vaca".

Resultado final: empate em 1 a 1 com gol de Fernando (foto). Aos 40 do segundo tempo, de cabeça, subindo mais que a defesa! Golaço!

Várzea com vacas é muuuuuuito interessante! Para Rogério, foi o melhor jogo da sua vida. Goleiro, garante ter sido um dos heróis da partida. E segue a narração:

O atacante deixou um dos zagueiros do paulistano para trás, saiu na cara do gol, chutou e...
Rrrrrrogéééééério!!!!! Com direito direito a deixar o atacante machucado com a dividida.
Noutra. Bola nas costas da zaga e chute rasteiro, no canto, e? Rrrrogéério!

Contos é isso!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Canto do Rio

Um dos principais times de futebol de várzea de São Paulo.
Retirei o texto abaixo - de 2004 - dos arquivos da Universidade Anhembi Morumbi, devidamente creditado.

Canto do Rio preparado para enfrentar juniores do São Paulo F.C.

Tradição do futebol de várzea sobrevive na Vila Olímpia

Fernando Petroni, Luiz Lima e Guilherme Assumpção

Grêmio Desportivo Canto do Rio, situado na Vila Olímpia, mantém a tradição do futebol de várzea e ajuda jovens de baixa renda que buscam oportunidade no concorrido mundo do esporte. O clube, fundado de 1 de janeiro de 1941, recebeu este nome em função de estar localizado entre o rio Pinheiros e um pequeno rio da região, hoje canalizado sob o campo principal do grêmio. Na época, quando perguntavam onde o clube ficava, muitos respondiam "no canto do rio", e a denominação acabou se oficializando.

O sexagenário Canto do Rio já foi um famoso time que teve seu tempo de glória nos anos 60 e 70, quando o futebol de várzea ainda tinha o seu encanto. A realidade hoje em dia, porém, é um pouco diferente. Construído em uma área pública, o clube sobrevive com uma renda anual de R$ 200 mil. Este capital vem do aluguel de um bar, do aluguel de uma quadra de futebol society e uma contribuição feita pelos sócios de R$ 20 por mês. Embora pareça muita, a renda não atende as necessidades do clube.

Leia na íntegra em:

http://www2.anhembi.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=21229&sid=1924

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Domingo é dia de Várzea... na TV

Getty Images
É verdade! Para quem pensou que a várzea não tinha espaço na televisão, estava enganado!

O Canal Aberto (canal 9 NET) transmite Moita, do bairro de Pirituba (Zona Oeste), contra o Titânio, do pessoal do Campo Limpo (Zona Sul), às 17h30.


Isto é, Enquanto estiver acabando o futebol das 16h na Rede Globo, começa a várzea no Canal Aberto. Você não vai perder nenhum jogo, vale a pena conferir!
Anote aí!

Moita (Pirituba) x Titânico (Campo Limpo)
Domingo, dia 11 - às 17h30
Canal Aberto (canal 9 - NET)
Narração: Danilo Almeida

Fique ligado no seu blog varzeano para saber este e outros resultados do futebol amador.

Deixe seu resultado no comentário ou na comunidade Contos da Várzea no Orkut.

Falô aí!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Chuá Chuá e Canarinho

Salve Boleiros!

Ricardo, 31 anos, está na comunidade Contos da Várzea no orkut e deixou pra gente um trecho da sua história. No perfil do cara, quando você lê esportes, ele preenche assim: FUTEBOL...FUTEBOL...FUTEBOL...FUTEBOL...FUTEBOL...FUTEBOL...FUTEBOL

Quando você vê atividades, olha só: FUTEBOL...FUTEBOL...FUTEBOL...FUTEBOL. Pouco viciado o rapaz! Manda vê Ricardo!


"Desde cedo


Eu morava no interior(Bauru) comecei com o futebol lá, passei pelo Noroeste nas categorias do dente de leite e dentão, então vim para São Paulo pra trampar, foi aí que comecei a jogar na várzea.

Já nos meus 13 pra 14 anos já jogava um pouquinho quando deixavam no extinto 5 de maio (V.Esperança-Penha). Joguei lá por uns 5 anos, jogávamos aos sábados e, de domingo, eu jogava num time lá de Itaquera que não me recordo o nome.

Só que antes da maioridade, voltei pra Bauru e lá também atuei em 3 times: Fortaleza, XV da Santa Edwirges e num time formado por nós do trampo. Quando completei 28 anos (10 anos após) voltei pra São Paulo e não foi diferente. Mais já agora sem o extinto 5 de maio, eu jogo pelo Chua-Chua (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18424739 ) que são antigos integrantes do 5 de maio. Eles jogam de 15 em 15 dias aos sábados pela manhã, no período da tarde jogo em Santo André pelo N.Horizonte (ótimo time) e de domingo jogo no Canarinho (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33556546), outro time bom demais. Isso é na varzea né, pois de terça jogo campo (grama sintética na Z/N) quarta socyte, sexta salão... .
Ahh, ia me esquecendo! Quando o time Só Quem É marca jogo to dentro é la do Mandaqui...
Valeu galera"
Valeu você Ricardo!
Pra quem quiser postar seu conto neste Blog varzeano, participe da comundidade
Contos da Várzea no orkut
Deixe seu comentário lá, que a gente manda pra cá!
A gente se tromba num terrão por aí, num domingo desses!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

5 de novembro: Dia do Contos

Diego, Rafa, Renato e Tony

Estreou! Isso! No último dia 5, uma segunda-feira de chuva fina, o mini-auditório da Universidade de Santo Amaro - zona sul paulistana - recebeu os quatro integrantes do Contos da Várzea. Foi o dia em que profissionais da comunicação e mais de 50 futuros jornalistas assistiram ao primeiro filme 100% dedicado ao futebol amador varzeano. Imagina! Era dia de cinema nacional por 2 reais em várias importantes salas do cinema na cidade. E muita gente preferiu ver esse tal Contos da Várzea. É, com tênis sujo de terra laranja mesmo!

Contos da Várzea: Por que na periferia?
Esse sou eu, no começo do argumento.
Uma foto que representa bastante o sentido do nosso trabalho.
O desenvolvimento da cidade de São Paulo começou, e os prédios subiram sem parar. O subdesenvolvimento da várzea começou, e os campos começaram a sumir.
As periferias receberam por último a modernidade. A várzea procurava pessoas que queriam um espaço de convívio social. Casamento perfeito!

Aprovados!
Ok! Argumento feito. Filme exibido. Aplausos!
O G8 Sports agradece a presença de amigos e familiares que estiveram presentes e que sempre nos apoiaram em todo processo de produção.
Projeto APROVADO!
Valeu a todos, de coração!

domingo, 4 de novembro de 2007

Que conta um conto...


E o Contos da Várzea está pronto. Teve até pré-estréia na casa do Diego (rsrs). A sala lotada com, certamente, as pessoas mais importantes de nossas vidas lá presentes. As demais, tão importantes quanto, estavam em casa. Dormindo. Cansadas do trabalho da semana, ou de quase uma vida inteira de trabalho (os avós do Rafa, por exemplo) certamente não suportariam até às 2h30 da manhã para ver a sala escurecer. Na TV, quase um ano de trabalho...e curtiram. Como curtiram. Fotos da edição do Contos da Várzea.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Duas lições da várzea; coragem e humildade!

O domingo foi literalmente quente para a várzea da zona sul. No bonito e atípico campo do campestre, próximo à divisa de São Paulo com Itapecerica da Serra, aconteceu um verdadeiro duelo de Titãs. Fumaça azul na entrada do favorito Parados do Parque Independência, na camisa os dizeres “tudo com nós” indicavam a confiança no triunfo. Mas existia ali um adversário espinhoso e catimbeiro, empurrado pela numerosa e barulhenta torcida do Cosmos do Parque Fernanda, de onde surgiam intermináveis fogos de artifício para intimidar e ensurdecer os jogadores da equipe adversária.

Estava quase tudo pronto para o começo do jogo. Reparem que eu disse quase tudo. Estamos carecas de saber o quanto a várzea é imprevisível, proporciona várias surpresas, então imagine:

São dez e meia da manhã e o sol está a pino castigando sem só os torcedores. Meu relógio avisa que já se passa meia hora do horário marcado para o inicio do jogo e nada do trio de arbitragem aparecer. Também pudera, foram ameaçados de linchamento durante quase toda a competição, quando o jogo valia três pontos, imagine agora valendo caneco. Olho para o campo novamente e avisto duas mulheres vestidas de preto adentrando o campo sob o olhar atônito das dezenas de pessoas ali presentes. Entram com a cara e a coragem nessa fria para salvar o domingo de toda aquela gente. Mulher bandeirando na várzea? Foi isso mesmo que você leu. Ana Paula fez escola, não? Quem acredita que a presença feminina exime o trio de escutar ofensas e represálias está profundamente enganado. Em dado momento uma das assistentes permanece imóvel durante o ataque que culminaria em gol do Cosmos. Resultado? Inconformado, o zagueirão do Parados vem se aproximando e berrando aos cuspes. “Sua P..., sua P... Tava impedido caralho! Você é cega?” Em meio a gritaria do botinudo faltou coragem ao juizão para tirar o vermelho do bolso e mandar o cidadão mas cedo para o chuveiro. Aliás, quem foi mais cedo para o chuveiro não gostou do que viu. “Cabelo” saiu lesionado no primeiro tempo e viu o favoritismo do seu Parados escorrer pelo ralo num jogo para fazer cardíaco passar mal. Obs: Para quem não viu ainda o documentário Contos da Várzea, “Cabelo” é o interprete do “conto do anu”, uma das histórias mais engraçadas contadas pelos personagens varzeanos.

Voltando ao jogo, um outro “entrevistado” teve seu dia de glória. Cassiano, camisa onze, infernizou a zaga adversária com arrancadas e pedaladas rápidas, ainda por cima marcou um gol de pênalti para o seu time. Bem que o Seu Alceu dizia que todo canela fina é bom de bola e olha que veterano sabe das coisas.

Bom... Fim de jogo. Três a dois para o Cosmos no placar. Na torcida sentimentos divididos como sempre. De um lado a torcida que remói a dor da derrota, noutro a festa tradicional com direito a caneco, cerva e churras. Mas quem disse que o Parados abaixa a cabeça? Ainda em campo após a derrota todos os jogadores da equipe cumpriram o ritual de sempre. Rezaram abraçados e depois cantaram a plenos pulmões, com toda a força que restava da dura batalha. “NÓS SAIMOS DO INDÉPE PRA JOGAR! PARA HONRAR O NOSSO TIME DE VALOR! SE GANHAMOS SABEMOS GANHAR! SE PERDEMOS SABEMOS !NÓS SOMOS OS PARADOS ATÉ MORRER!”

Isso é Contos da Várzea!!!!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Saindo do forno!

25 de outubro: fim da edição.
Retoques finais para Contos da Várzea.
Tenho muitos para agradecer. Sintetizei alguns e vai em primeira mão neste nosso encontro:

"Poderia começar agradecendo Charles Miller por apresentar a bola de futebol ao brasileiro, mas não!
Quero agradecer em primeiro lugar os varzeanos, que transformaram a bola de futebol numa esfera mágica, de cor alaranjada.
Em segundo lugar, agradeço geral, porque numa final de mata-mata não existe terceiro colocado. Aqui, obrigado a todos que nos receberam de forma muito cordial em cada campo, time e sede.
A Deus e São Pedro, que proporcionaram lindos fins de semana de sol, o que ajudou a pintar as cores do céu azul, árvores super verdes e o terrão... nem preciso falar.
Dona Maria Teresa, Senhor Ari, Juliano, Tatiana, Teté e Renatinha (minha família) pela paciência e compreensão de minhas ausências nos almoços e reuniões em casa.
Ao G8, o melhor grupo de amigos para o melhor trabalho que realizei em 2007.
Aos Contos da Várzea... pelos contos".

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Sonho

Para que o sonho tome forma é preciso muito suor.
Nenhum sucesso vem à toa. De graça. Sem transpiração.
Agora estamos aprendendo que o mesmo se aplica a um documentário.
Contos da Várzea. Histórias de um povo que é apaixonado por futebol.
De um povo que respira futebol.

sábado, 13 de outubro de 2007

Prorrogação!

“Fita dezessete, time code quatro ponto um!”

O ponteiro do relógio acelera as batidas do coração.

O desespero não esconde. Tem mais areia na parte de baixo da ampulheta

Chamem o Meirelles, Padilha ou alguém da família Salles.

Documentaristas varzeanos? Varzeanos documentaristas?

Nos olhos o vermelho da exaustão.

No rosto um sonambulismo crônico, inércia na expressão.

Quão lúcido estou? Impossível saber.

Mas ainda quero a paixão na fala dos entrevistados.

Quero a clareza das imagens.

A poeira da terra surgindo.

A pureza da entrega por essa várzea hilariante.

Quatro vidas desaguando na imponência do tempo.

Um sonho em construção.

Uma loucura de estudante.

Um projeto de gente grande.

Que horas são? Nem me fale, perdi a noção.

Santa várzea! Rogai por nós jornalistas.

Agora e na hora da decupagem.

Amém!



sábado, 6 de outubro de 2007

Campeonato no Campo Limpo

E no meu Campo Limpo, Campo Lindo, tem também campeonato. Abaixo os resultados e os próximos jogos de importante campeonato da região.

Copa Associação A.A. Parque Santo Antônio
Rodada 30 de Setembro de 2007
Real Atlético 3 x 1 U3F (Parque Santo Antônio)
Indomável (Parque Vera Cruz) 2 x 1 Barcelona do Parque Sto Antonio
Azurra (Parque Vera Cruz) 2 x 0 Flamenguinho (Parque Santo Antonio)
Unidos da Cana 2 x1 Sem Querer (Parque Sto Antônio)

Rodada 7 de outubro
Semi final - Campo do Caju
10h - Indomáveis X Azurra
11h30 - Unidos da Cana X Real Atlético

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Volta Jesus

Esse conto você encontra no livro "Segundo Chute", de Walter Scott Vicentini, mas eu vou contar do meu jeito!

Há muito tempo, existiam diversos campos de várzea, você sabe, né!?! Pois é, eram vários. Tantos que entre um e outro fazia-se uma diferença de um ou dois metros. Um campo, passava dois metros, e outro campo. E por aí vai!

Tinha um jogador muito bom por sua velocidade. O nome dele era Jesus. Calma, não é pra rir ainda! O problema dele é que não olhava pra frente pra correr, só pra bola. Num dos lançamentos ele correu, correu, correu. E escutou dos companheiros: Volta Jesus, volta! Jesus parou, levantou a cabeça, olhou pra trás e viu que tinha ultrapassado seu campo faz tempo. Já estava correndo entre outros dois times. Pode rir agora!

Jesus, envergonhado, pegou a bola na mão, e voltou para o campo, dando a bola para o goleiro adversário cobrar tiro de meta.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O Melhor da Copa Kaiser

Fala rapaziada peladeira. O que de melhor acontece no futebol amador você confere sempre aqui no Contos de Várzea. Ontém foi dia de Copa Kaiser. Confira os principais "lances" da rodada.

FASE "OF"

DIA: 30/09/2007 - DOMINGO
2ª RODADA - COMPLETA

Destaque da rodada.

ARENA KAISER
12:00 -
Leões da Geolândia/V.Medeiros 0x1 GE Lagoinha/V.Maria (OF-3)

Esse foi o jogão da rodada. O jogo aconteceu na Arena Kaiser (Estádio do Nacional). Quem marcou para o Lagoinha foi o craque do jogo, o atacante Betinho (Eberton Malvino). O gol da vitória foi o terceiro do jogador no campeonato.


Os outros jogos ficaram assim:

BURGO
13:00 -
Entre Amigos FC/V.Progresso 0x1 Grêmio Botafogo FC/Guaianases (OF-1)

RIACHUELO
13:00 -
AE Nós Travamos/Jd.Tupi 0x1 GR AG Madeira/Brás (OF-1)

FLAMENGO
13:00 -
EC Ajax/V.Rica 1x1 Falcão Dourado FC/Pq.Dorotéia (OF-2)

CAJU
11:45 -
Ass.Piratininga/3ª Divisão 1x2 AA Alvorada/Jaraguá (OF-2)
13:15 -
GDR Danúbio/Freg.do Ó 1x1 EC Vida Loka/V.Brasilândia (OF-4)

JAÚ
13:00 -
EC Nápoli/V.Industrial 3x2 Geavi/Pq.Edu Chaves (OF-3)

BENFICA
13:00 -
AE Sedex/Cid.Tiradentes 2x1 GR Jardim das Palmas/C.Limpo (OF-4)

Os próximos encontros acontecem agora no próximo domingo 07/10/2007. Fique atento! Acompanhe cada rodada aqui no Contos da Várzea, o blog que é a alegria dos boleiros varzeanos.

A união dos povos

Dentro do famoso parque do bairro da Aclimação, um campo de várzea. Em campo, amigos advogados, professores de educação física e até Rafael, jornalista e um de nossos integrantes nessa produção. Marrudo menino!

Durante a filmagem, notamos um casal sentado ä grana, no alto, com livro de poesia na mão e com uma simpática vira-lata na coleira, a Susi. O rapaz, Marcio, 21 anos, vindo de Pernambuco há um ano e tentando a vida difícil em São Paulo. Ela, Cristiane, 17 anos, grávida de 7 meses de um menino. Por que um casal vem para um parque tão lindo e param para ver a várzea?

"Eu leio um poema e ele assisti ao jogo. Depois, a gente troca. Ele lê uma poesia e eu vejo a partida, mas eu não gosto muito de futebol", é a futura mamãe quem fala.

Na arquibancada, seis aposentados disputam outra partida acirrada: o dominó. Vez em quando, dão uma esticada pra ver o jogo, principalmente quando sai um pênalti ou brigas. Jogando sob o mesmo tabuleiro, um ajudante de obra e um formado e Química. Mas é o mundo da várzea, onde todos são iguais e tudo vale.